Tudo começa com você e o seu desejo de aprender algo que não sabe. Por exemplo, você vê uma pessoa, um grande mestre em alguma habilidade e começa a sonhar: “Nossa, seria tão bom se eu soubesse fazer isso assim, tão bem, tão bonito quanto essa pessoa…”.

Você já é o que quer ser? Confia no processo? Se a resposta é “sim”, você está pronto para aprender.
A habilidade em si não importa. Pode ser uma habilidade prática: culinária, dança de salão, marcenaria, mecânica de automóveis, bordado, tricô e crochê. Um esporte, individual ou coletivo. Quem sabe, uma Ciência ou Arte… Literatura, Música, Pintura, Escultura… Ou a Filosofia, a Teologia. Quem sabe uma atividade de alcance mais amplo, como a Política, a vida Religiosa ou Missionária, o ativismo político, a atividade empresarial, os negócios, o comércio.
Repito: não importa o que você deseja aprender. O começo é sempre esse: “Vi alguém fazendo, achei lindo. Quero aprender a fazer também”!
O segundo estágio é o casamento do desejo com a disposição de fazer o esforço de aprender. Podemos chamar a esse estágio de vontade, um sentimento muito maior do que aquele vago desejo pelo resultado.
Sim, é lindo ser o campeão mundial do esporte, receber o Prêmio Nobel, ser escolhida a primeira bailarina do balé Bolshoi, o ver o próprio nome na lista dos bilionários da revista Forbes. Mas, para haver esperança de chegar lá algum dia, você precisará acordar cedo amanhã e estudar o livro, assistir à aula, participar do treino, seguir a dieta, obedecer ao mestre, fazer o dever de casa, errar, acertar e corrigir-se incontáveis vezes em sequência, dia após dia, por semanas, meses, anos a fio, sem jamais deixar que aquele fogo inicial se apague: “É lindo. Quero saber fazer isso”.
A vontade é a diferença entre o fogo de palha, que não passa do primeiro mês de aulas, e as grandes fogueiras de talento que aquecem a existência humana.
O combustível de sua fogueira não é o sonho por um glorioso resultado final. É a vontade de saber fazer que se manifesta em seu ser.
Esta é, portanto, a …
Primeira Lei do Aprendizado: Ou você já é, ou nunca será.
Ou você já é – hoje, agora! – o que deseja ser, ou o esforço do aprendizado sempre parecerá grande demais. As tentativas frustradas, os erros repetidos, as correções infinitas e sempre humilhantes, o progresso lento e muitas vezes imperceptível, os reveses, as condições longe do ideal, qualquer motivo, qualquer pretexto, minúsculo ou insignificante, levará você a desistir.
Portanto, se você começa um aprendizado porque isso dá dinheiro, está começando errado. Sim, qualquer atividade humana pode dar dinheiro, mas só depois que você sabe fazê-la com qualidade suficiente para cobrar um bom preço por ela, superando os competidores e mantendo-se no topo.
Sua motivação é, portanto, ser. Você não suporta a ideia de não saber fazer aquilo ali, ainda que jamais ganhe um centavo por saber. Não saber, é, sim, realmente insuportável para você. Por isso, a cada dia, sua mente se volta para aprender alguma coisa que não sabia na véspera; para fazer melhor algo que não fazia tão bem no dia anterior, para entender de um modo mais amplo o que ainda ontem parecia tão obscuro.
E você faz tudo isso porque você já é o que deseja ser.
Por exemplo, se você quer ser um escritor, porque leu grandes escritores e achou lindo, e não se conforma em não saber escrever pelo menos quase tão bem quanto os melhores entre eles, você já é um escritor, ainda que, hoje, não entenda patavinas de Gramática, que não tenha a mínima ideia de como redigir uma frase, um parágrafo, um capítulo… Ou um verso.
Esse é o combustível de sua fogueira. Você quer entender para saber fazer, para saber como os seus mestres fizeram, de modo que você possa também fazer algo pelo menos parecido, senão igual ou – quiçá! – melhor do que eles.
E isto nos leva à …
Segunda Lei do Aprendizado: confie no processo.
O aprendizado é um processo, não um estado final. Voltando ao exemplo: sim, você já é um escritor, ainda que não saiba escrever uma linha que faça sentido. Deste modo, sua meta, hoje, é aprender a melhorar a sua primeira linha. Pronto: ficou melhor do que a tentativa de ontem? Então, parabéns: hoje, você já é um escritor melhor do que era ontem. Comecemos agora, então, a melhorar o escritor que você será amanhã.

Confie no processo e celebre a vitória de cada pequena habilidade adquirida.
Quando você conduz o seu aprendizado como um processo de tornar-se melhor naquilo que você já é, você não marca prazos em cronogramas numa linha do tempo. Você respeita o seu ritmo. Avança devagar quando tem dificuldade, avança rápido no que é fácil para você.
E quanto aos métodos? Os métodos podem mudar, e mudam mesmo, o tempo todo. Você deve confiar no processo, não nos métodos, porque métodos diferentes funcionam de formas diferentes para pessoas diferentes.
Quando iniciante, você experimentará diversos métodos que parecem fazer sentido mas, com a experiência, aprenderá quais realmente fazem sentido e quais não passam de delírios mais ou menos bem-intencionados, que não funcionam na prática… pelo menos, não para você.
Se um método não funciona na prática para você; se não cumpre o objetivo de torná-lo melhor naquilo que você já é; se, enfim, não o ajuda em seu processo, conclua rapidamente que não é um bom método. Escolha outro. Mude.
Confiar no processo é respeitar a si mesmo e ao seu desejo de ser e de tornar-se. É a sua inspiração, o seu combustível, o motor de sua vida. Comece querendo ser aquele que sabe aquilo ali, dedique-se diariamente a tornar-se um pouco melhor do que na véspera e, antes que perceba, já saberá tão bem ou melhor do que imaginava naquele sonho do primeiro dia: “Nossa, seria tão bom se eu soubesse…”
