{"id":260,"date":"2023-05-25T19:28:04","date_gmt":"2023-05-25T22:28:04","guid":{"rendered":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/?p=260"},"modified":"2023-05-25T19:28:04","modified_gmt":"2023-05-25T22:28:04","slug":"a-arte-da-musica-no-quadrivium","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/a-arte-da-musica-no-quadrivium\/","title":{"rendered":"A Arte da M\u00fasica no Quadrivium"},"content":{"rendered":"<p>O <strong>Quadrivium<\/strong>, est\u00e1gio superior das Artes Liberais, refere-se ao estudo das artes dos n\u00fameros, ou seja, da quantidade abstrata. Segundo o te\u00f3logo Hugo de S\u00e3o Vitor, podemos tipificar as quantidades em duas partes: uma, <strong>cont\u00ednua,<\/strong> chamada \u201cmagnitude\u201d; e, outra, <strong>descont\u00ednua<\/strong>, chamada \u201cmultitude\u201d. Na multitude, algumas quantidades existem por si mesmas, como os n\u00fameros 1, 2, 3\u2026, enquanto outras existem em rela\u00e7\u00e3o a outra quantidade, como \u201cduplo\u201d, \u201cquarto\u201d, \u201cmetade\u201d\u2026 Compreendemos, ent\u00e3o, a <strong>Aritm\u00e9tica<\/strong> como a arte que estuda a multitude que existe por si s\u00f3; e, a <strong>M\u00fasica,<\/strong> como a que estuda a multitude em rela\u00e7\u00e3o a outra quantidade.\u00a0 Quanto \u00e0 quantidade cont\u00ednua, temos a magnitude im\u00f3vel estudada na arte da <strong>Geometria,<\/strong> e a magnitude m\u00f3vel, estudada na <strong>Astronomia<\/strong>.<\/p>\n<p>No presente artigo introduziremos o desenvolvimento da Arte da M\u00fasica.<\/p>\n<div id=\"attachment_306\" style=\"width: 657px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-306\" class=\"size-full wp-image-306\" src=\"http:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/Allegory_of_Music_Echecs_amoureux.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/Allegory_of_Music_Echecs_amoureux.jpg 657w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/Allegory_of_Music_Echecs_amoureux-300x273.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><p id=\"caption-attachment-306\" class=\"wp-caption-text\">Alegoria da M\u00fasica, ilustra\u00e7\u00e3o medieval.<\/p><\/div>\n<p>Conta-se que Pit\u00e1goras, ao observar um ferreiro trabalhando, reconheceu harmonias familiares nos tons emitidos pelos toques do martelo na bigorna. Ele percebeu que o peso dos martelos era respons\u00e1vel pelas notas que a bigorna emitia. Um martelo que sopesava metade de outro emitia o som de uma nota duas vezes mais alta, ou seja, uma oitava (2:1); um par de martelos que equivalia a (3:2), emitia belas notas 1\/5 distantes uma da outra. Assim, Pit\u00e1goras, teria descoberto que toda a natureza, todo o universo f\u00edsico, consiste em harmonias resultantes de n\u00fameros.<\/p>\n<p>Haveria tr\u00eas tipos de M\u00fasica: Humana, Instrumental e Universal. A \u201cm\u00fasica humana\u201d, segundo Hugo de S\u00e3o V\u00edtor, seria encontrada no corpo, na alma e na conex\u00e3o entre os dois. <strong>(1)<\/strong> Estaria intimamente ligada \u00e0s virtudes, ao temperamento humano, e \u00e0 boa modula\u00e7\u00e3o da voz. A \u201cm\u00fasica instrumental\u201d seria a encontrada no pulso, nas cordas, no sopro.<\/p>\n<p>Em seus estudos, Pit\u00e1goras observou a equival\u00eancia fracion\u00e1ria entre as\u00a0 sete notas musicais e os movimentos dos Astros Celestes: Saturno com a nota <strong>Si<\/strong>, J\u00fapiter com <strong>D\u00f3<\/strong>, Marte com <strong>R\u00e9<\/strong>, o Sol com <strong>Mi<\/strong>, Merc\u00fario com <strong>F\u00e1<\/strong>, V\u00eanus com <strong>Sol<\/strong> e a Lua com <strong>L\u00e1 (2)<\/strong>. A &#8220;m\u00fasica do Universo&#8217; refere-se justamente ao estudo dessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bo\u00e9cio afirma que a m\u00fasica &#8220;abre caminho ao n\u00famero e por ele \u00e0 ess\u00eancia das coisas: a m\u00fasica opera com sons&#8221;. O som \u00e9 resultado de um \u00edmpeto, de um movimento.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Os sons, com efeito, articulam-se e relacionam-se entre si, como qualquer n\u00famero com outro n\u00famero, segundo uma propor\u00e7\u00e3o, uma raz\u00e3o, um logos. Conhecer, portanto, esse sistema proporcional \u00e9 a via de acesso ao conhecimento da ess\u00eancia das coisas; a raz\u00e3o que articula os sons musicais cont\u00e9m a chave da raz\u00e3o que estrutura tanto o homem quanto o universo que o cerca.&#8221;<\/p>\n<p>~Bo\u00e9cio, <em>&#8220;De Institutiones Musica&#8221;. <\/em><strong>(3)<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como todo som \u00e9 precedido por um movimento, teoricamente, \u00e9 poss\u00edvel conceber uma \u201cM\u00fasica do Universo\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto Arte Liberal, a M\u00fasica est\u00e1 intrinsecamente relacionada \u00e0s virtudes humanas difundindo-se por todos os atos de nossa vida \u00e0 medida que vivemos segundo os mandamentos de Deus. \u201cO que quer que digamos, que nos mova desde dentro pelo pulsar das veias, est\u00e1 associado pelos ritmos musicais \u00e0 for\u00e7a da harmonia.\u201d <strong>(4)<\/strong><\/p>\n<p>O estudo das Artes Liberais propiciou uma rica atmosfera intelectual para o desenvolvimento da M\u00fasica no Cristianismo. Na Idade M\u00e9dia, a M\u00fasica deixou de ser uma atividade sumamente intelectual, uma mera disciplina matem\u00e1tica na qual poder-se-iam reconhecer os conceitos filos\u00f3ficos de ordem, propor\u00e7\u00e3o e harmonia, para converter-se numa arte com o prop\u00f3sito de elevar o homem ao seu des\u00edgnio final: Deus.<\/p>\n<p>Nos prim\u00f3rdios do Cristianismo, desenvolveu-se o Cantoch\u00e3o, um estilo de canto religioso aplicado \u00e0 pr\u00e1tica monof\u00f4nica, isto \u00e9, cantado em uma \u00fanica voz. Entre as formas de Cantoch\u00e3o historicamente conhecidas, destacam-se a Mo\u00e7\u00e1rabe, a Ambrosiana e a Gregoriana. As tr\u00eas se diferenciavam na forma rudimentar de sua nota\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-309\" src=\"http:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/cantochao.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/cantochao.jpg 1000w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/cantochao-300x90.jpg 300w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/cantochao-768x230.jpg 768w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/05\/cantochao-847x254.jpg 847w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>O Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio, o Grande (590\u2013604) ordenou e padronizou os c\u00e2nticos dispon\u00edveis at\u00e9 aquele momento. Ele decretou que os c\u00e2nticos da Igreja deveriam ser ordenados e acepilhados, mandou compilar um floril\u00e9gio de Antifon\u00e1rios e reorganizou a <em>Schola Cantorum<\/em>, preliminarmente fundada pelo Papa S\u00e3o Silvestre I. S\u00e3o Greg\u00f3rio usou a M\u00fasica como forma primeira de tocar as almas dos pag\u00e3os apresentando-os a Beleza e a Verdade Crist\u00e3.<\/p>\n<p>Os neumas foram adicionados como sinais acima dos textos a serem cantados, a fim de bosquejar seu percurso mel\u00f3dico. Nos escritos do monge beneditino Notker Balbulus, ou Notker, o gago (840\u2013912) encontram-se, ao lado dos neumas, sinais peculiares para indicar a progress\u00e3o cadenciada ou tonal dos c\u00e2nticos gregorianos. No entanto, ainda n\u00e3o era exequ\u00edvel designar os intervalos e tons entre as notas, mas apenas reproduzir uma sequ\u00eancia mel\u00f3dica muito inexata. Para resolver este problema, o monge beneditino Guido de Arezzo (992 \u2014 aprox. 1050) inventou o sistema de linhas, que usamos atualmente, em 1028. Nesse sistema, cada sinal musical ocupa uma posi\u00e7\u00e3o na pauta consoante a nota desejada. Desta forma, o tom poderia, a partir de ent\u00e3o, ser estritamente registrado. Tautocronamente, Guido de Arezzo ideou a solmiza\u00e7\u00e3o, um sistema que usa s\u00edlabas para denominar os tons da escala musical (D\u00f3, R\u00e9, Mi, F\u00e1, Sol, L\u00e1, Si). Com esse des\u00edgnio, ele criou os nomes pelos quais as notas s\u00e3o conhecidas na atualidade. Os nomes foram retirados das s\u00edlabas iniciais de um Hino a S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, chamado <em>Ut queant laxis<\/em>.<\/p>\n<p><strong>UT<\/strong> queant laxis<br \/>\n<strong>RE<\/strong>sonare fibris<br \/>\n<strong>MI<\/strong>ra gestorum<br \/>\n<strong>FA<\/strong>muli tuorum,<br \/>\n<strong>SO<\/strong>Lve polluti<br \/>\n<strong>LA<\/strong>bii reatum,<br \/>\n<strong>S<\/strong>ancte <strong>I<\/strong>ohannes<\/p>\n<p>A palavra &#8220;UT&#8221; foi ulteriormente substitu\u00edda por &#8220;D\u00f3&#8221;, devido \u00e0 conveni\u00eancia sonora deste \u00faltimo se encerrar em uma vogal; e o Si, que n\u00e3o se encontra neste hino, foi acrescentado, tomando-se as iniciais da palavra <em>Sancte<\/em> e do nome <em>Ioannes<\/em>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o desenvolvimento da nota\u00e7\u00e3o musical, obteve-se um expressivo desenvolvimento na M\u00fasica Crist\u00e3. Os te\u00f3ricos musicais, entre os quais destacamos o bispo Philippe de Vitry, elaboraram com precis\u00e3o matem\u00e1tica as regras de coordena\u00e7\u00e3o do canto com v\u00e1rias vozes diferentes criando, assim, as regras do contraponto. Um compositor de destaque desta \u00e9poca foi Guillaume Machaut (1310-1377), um dignit\u00e1rio eclesi\u00e1stico em Verdum e Reims, na corte do Rei Carlos V da Fran\u00e7a. Entre suas obras, destacamos a \u201c<em>Messe du Sacre<\/em>\u201d, escrita em 1367 para a coroa\u00e7\u00e3o do Rei Carlos V. Foi este m\u00fasico tamb\u00e9m o primeiro a escolher cinco partes fixas da missa para p\u00f4-las em sua m\u00fasica: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei.<\/p>\n<p>O Canto Gregoriano sobreleva-se de seus antecessores por ser a forma mais insigne e perfeita de M\u00fasica Sacra, por possuir em um n\u00edvel eminente, as particularidades de santidade e delicadeza, pr\u00f3prias da liturgia cat\u00f3lica, assim cumprindo seu fim ultimado: a glorifica\u00e7\u00e3o de Deus e a santifica\u00e7\u00e3o das almas.<\/p>\n<p>Como ensina o Papa S\u00e3o Pio X:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Estas qualidades se encontram em grau sumo no canto gregoriano, que \u00e9 por consequ\u00eancia o canto pr\u00f3prio da Igreja Romana, o \u00fanico que ela herdou dos antigos Padres, que conservou cuidadosamente no decurso dos s\u00e9culos em seus c\u00f3digos lit\u00fargicos e que, como seu, prop\u00f5e diretamente aos fi\u00e9is, o qual estudos recent\u00edssimos restitu\u00edram \u00e0 sua integridade e pureza. [&#8230;] Uma composi\u00e7\u00e3o religiosa ser\u00e1 tanto mais sacra e lit\u00fargica quanto mais se aproxima no andamento, inspira\u00e7\u00e3o e sabor da melodia gregoriana, e ser\u00e1 tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo supremo.&#8221; <strong>(5)\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"embed-container\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Guillaume de Machaut - Messe du Sacre de Charles V (Messe de Notre Dame) - 1367\" width=\"847\" height=\"476\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9jX0x0sliHs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tendo isso em mente, arremato este artigo convidando o leitor a contemplar a missa da coroa\u00e7\u00e3o de Carlos V, composta por Guillaume Machaut (Missa de Notre Dame).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fontes:<br \/>\n(1) S\u00e3o Vitor, de Hugo.<a href=\"https:\/\/amzn.to\/42bzwi6\"> <strong>Didascalicon<\/strong><\/a>.<br \/>\n(2) <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/M%C3%BAsica_das_esferas\"><strong>M\u00fasica das Esferas<\/strong><\/a>.<br \/>\n(3) Bo\u00e9cio. <strong><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3q2mLZM\">Sobre el fundamento de la m\u00fasica<\/a>.\u00a0<\/strong><br \/>\n(4) Cassiodoro. <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3OG0jjw\"><strong>Institutiones. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Letras Divinas e Seculares<\/strong><\/a>.<br \/>\n(5) <strong>MOTU PROPRIO &#8220;<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-x\/pt\/motu_proprio\/documents\/hf_p-x_motu-proprio_19031122_sollecitudini.html\">TRA LE SOLLICITUDE<\/a>&#8221; DO SUMO PONT\u00cdFICE PIO X SOBRE A M\u00daSICA SACRA.<\/strong><br \/>\n(6) Carpeaux ,Otto Maria. <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3oxlPfI\"><strong>A hist\u00f3ria da m\u00fasica<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Quadrivium, est\u00e1gio superior das Artes Liberais, refere-se ao estudo das artes dos n\u00fameros, ou seja, da quantidade abstrata. Segundo o te\u00f3logo Hugo de S\u00e3o Vitor, podemos tipificar as quantidades em duas partes: uma, cont\u00ednua, chamada \u201cmagnitude\u201d; e, outra, descont\u00ednua, chamada \u201cmultitude\u201d. Na multitude, algumas quantidades existem por si mesmas, como os n\u00fameros 1, 2, &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/a-arte-da-musica-no-quadrivium\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[11,13,12],"class_list":["post-260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filosofia","tag-artes-liberais","tag-musica","tag-quadrivium","item-wrap"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260"}],"version-history":[{"count":48,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":315,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260\/revisions\/315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}