{"id":352,"date":"2024-03-08T10:57:34","date_gmt":"2024-03-08T13:57:34","guid":{"rendered":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/?p=352"},"modified":"2024-03-08T11:30:21","modified_gmt":"2024-03-08T14:30:21","slug":"comentario-aos-livros-i-e-ii-da-eneida-de-virgilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/comentario-aos-livros-i-e-ii-da-eneida-de-virgilio\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rio aos Livros I e II da \u201cEneida\u201d, de Virg\u00edlio"},"content":{"rendered":"<p>O Livro I da Eneida divide-se em tr\u00eas partes principais: o pro\u00eamio, a viagem de Eneias e o desembarque em Cartago. O <em>pro\u00eamio<\/em>, conforme exposto no <a title=\"Coment\u00e1rio ao pro\u00eamio da \u201cEneida\u201d, de Virg\u00edlio\" href=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/comentario-ao-proemio-de-eneida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo anterior<\/a>, apresenta a <em>invoca\u00e7\u00e3o<\/em> e a <em>proposi\u00e7\u00e3o<\/em> do poema. A invoca\u00e7\u00e3o \u00e9 um recurso usado pelos poetas antigos para pedir inspira\u00e7\u00e3o divina \u00e0s Musas, filhas de J\u00fapiter e da Mem\u00f3ria, para que melhor cantem os grandes feitos narrados no poema. J\u00e1 a \u201cproposi\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o meio pelo qual o poeta apresenta o tema central do poema.<\/p>\n<p>A segunda parte corresponde aos versos 34 a 156 e narra as tribula\u00e7\u00f5es de Eneias e seus companheiros da Sic\u00edlia a Cartago, durante o s\u00e9timo ano de peregrina\u00e7\u00e3o, para fundar a It\u00e1lia. Navegando pelo Mediterr\u00e2neo, a frota se depara com uma tempestade enviada por \u00c9olo, deus dos ventos, a mando de Juno, esposa de J\u00fapiter, que, mesmo ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Troia, continua odiando os troianos devido \u00e0 escolha de P\u00e1ris. Juno convenceu o monarca dos ventos oferecendo-lhe a bela ninfa Deiopeia. Com a tempestade, a frota se dispersa e um navio vai a pique. Nos versos 55 a 57, Virg\u00edlio belamente usa alitera\u00e7\u00e3o e prosopopeia para descrever a caverna, onde estariam presos os ventos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>\u201cBramam os ventos em torno \u00e0 pris\u00e3o, e a montanha retumba<\/em><br \/>\n<em>com a turbul\u00eancia dos presos. Sentando na rocha altaneira<\/em><br \/>\n<em>\u00c9olo se acha com o cetro, seus brios aplaca e tempera.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Netuno, senhor dos mares, percebendo a desordem em seu reino, repreende e manda embora Euro e Z\u00e9firo, apaziguando a procela. O poeta usa caracter\u00edsticas humanas para descrever elementos da natureza; por exemplo, no verso 149, a express\u00e3o \u201c<em>povinho sem brio<\/em>\u201d refere-se aos ventos.<\/p>\n<p>A terceira parte do Livro I situa-se entre os versos 157 e 756. Com sete navios, os troianos aportam justamente em Cartago, na costa africana, onde desembarcam. Eneias acalma os companheiros, sacrifica sete cervos. Todos ceiam e, ent\u00e3o, choram a morte dos companheiros. V\u00eanus, m\u00e3e de Eneias, se queixa a J\u00fapiter do infind\u00e1vel sofrer do filho, ao que ele prontamente a acalma \u2013 versos 257 a 269 \u2013, ratificando-lhe a profecia do futuro grandioso para Eneias e para Roma:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>\u201cAcalma-te, Citereia; imut\u00e1veis encontram-se os Fados.<\/em><br \/>\n<em>Ainda ver\u00e1s a cidade e as muralhas da forte Lav\u00ednio,<\/em><br \/>\n<em>como te disse, e at\u00e9 aos astros o nome elevar-se de En\u00e9ias<\/em><br \/>\n<em>de alma sublime. Mudan\u00e7a n\u00e3o houve no meu pensamento.<\/em><br \/>\n<em>Guerras terr\u00edveis ele h\u00e1 de enfrentar, povos de \u00e2nimo fero<\/em><br \/>\n<em>domar no jugo, a seus homens dar leis e cidades muradas,<\/em><br \/>\n<em>quando, tr\u00eas anos corridos, estios e invernos gelados,<\/em><br \/>\n<em>reinar no L\u00e1cio e abater a fereza dos r\u00fatulos fortes.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Nos versos acima, &#8220;<em>Citereia<\/em>&#8221; designa V\u00eanus. O terceiro verso \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 Apoteose de Eneias, belamente descrita por Ov\u00eddio na sua obra Metamorfose. \u201c<em>As guerras terr\u00edveis<\/em>\u201d s\u00e3o narradas a partir do canto VII de Eneida.<\/p>\n<p>J\u00fapiter afirma que os descendentes de Eneias governariam Alba Longa por cerca de trezentos anos, quando finalmente nasceriam os g\u00eameos R\u00f4mulo e Remo. \u201c<em>Sacerdotisa<\/em>\u201d refere-se a Reia S\u00edlvia, m\u00e3e de R\u00f4mulo e Remo. \u201c<em>Burgo Mav\u00f3rcio<\/em>\u201d refere-se a Roma, que seria demarcada por R\u00f4mulo e Remo, e governada por R\u00f4mulo. Quando J\u00fapiter clama \u201c<em>Dou-lhe imp\u00e9rios sem fim<\/em>\u201d est\u00e1 profetizando a grandiosidade do Imp\u00e9rio Romano:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>\u201cSeu filho Asc\u00e2nio \u2014 o cognome de Iulo lhe foi acrescido<\/em><br \/>\n<em>quando ainda no orbe sabia-se de \u00edlio e da sua presen\u00e7a \u2014<\/em><br \/>\n<em>governar\u00e1 por trinta anos, um m\u00eas depois do outro, a cidade,<\/em><br \/>\n<em>e a capital de Lav\u00ednio, seu reino, aumentado de muito<\/em><br \/>\n<em>para Alba alfim mudar\u00e1, guarnecida de grandes muralhas.<\/em><br \/>\n<em>Nestes dom\u00ednios a gente de Heitor manter\u00e1 o comando<\/em><br \/>\n<em>trezentos anos, at\u00e9 que a princesa \u00cdlia, sacerdotisa,<\/em><br \/>\n<em>de Marte gr\u00e1vida, \u00e0 luz h\u00e1 de dar os dois g\u00eameos preditos.<\/em><br \/>\n<em>R\u00f4mulo, ent\u00e3o, mui vaidoso da pele fulgente da loba,<\/em><br \/>\n<em>dominar\u00e1 nestes povos e o burgo mav\u00f3rcio erigindo,<\/em><br \/>\n<em>de fortes muros, seu nome dar\u00e1 aos romanos ditosos.<\/em><br \/>\n<em>Prazo nem metas imponho \u00e0s conquistas do povo escolhido.<\/em><br \/>\n<em>Dou-lhes imp\u00e9rios sem fim.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Virg\u00edlio usa do recurso da &#8220;M\u00e1quina do Tempo&#8221;, fazendo que o leitor de sua \u00e9poca se reconhe\u00e7a no discurso, pois foi justamente nesse per\u00edodo que os romanos dominaram militarmente a Gr\u00e9cia. &#8220;<em>C\u00e9sar de Troia<\/em>&#8221; se refere ao imperador Otaviano Augusto, que, em 27 a.C, anexou a Gr\u00e9cia como prov\u00edncia do Imp\u00e9rio Romano. Otaviano Augusto \u00e9 descendente da fam\u00edlia &#8220;J\u00falia&#8221;, que segundo o poeta, originou-se em Eneias. Quando o vate canta \u201c<em>Rico de esp\u00f3lios do Oriente<\/em>\u201d, ele est\u00e1 se referindo \u00e0 \u00faltima guerra civil promovida por Otaviano Augusto contra Marco Ant\u00f4nio e Cle\u00f3patra. No \u00faltimo verso, \u201c<em>Ent\u00e3o, suspensas as guerras, aquietam-se os \u00e1speros sec\u2019los<\/em>\u201d, referindo-se \u00e0 futura Pax Romana:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>\u201c\u2026 H\u00e1 de a idade chegar, na carreira dos lustros,<\/em><br \/>\n<em>em que a fam\u00edlia de Ass\u00e1caro \u00e0 ilustre Micenas e Ftia<\/em><br \/>\n<em>dominar\u00e1, e sobre os Argos vencida h\u00e1 de impor o seu jugo.<\/em><br \/>\n<em>C\u00e9sar de Troia, de origem t\u00e3o clara, at\u00e9 as \u00e1guas do Oceano<\/em><br \/>\n<em>vai estender-se; sua fama h\u00e1 de aos astros chegar dentro em pouco.<\/em><br \/>\n<em>Do claro nome de Iulo prov\u00e9m o cognome de J\u00falio.<\/em><br \/>\n<em>Livre do medo infundado, h\u00e1s de um dia no Olimpo acolh\u00ea-lo,<\/em><br \/>\n<em>Rico de esp\u00f3lios do Oriente. Invocado vai ser pelos homens.<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o, suspensas as guerras, aquietam-se os \u00e1speros sec\u2019los.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Em seguida, J\u00fapiter envia Merc\u00fario a Cartago para garantir que os troianos sejam l\u00e1 bem acolhidos. Enquanto Eneias faz explorar o lugar, V\u00eanus manifesta-se-lhe sob a forma de ca\u00e7adora, assossegando o filho quanto ao pa\u00eds e sua rainha, Dido. Numa ef\u00eamera analepse, V\u00eanus descreve a Eneias e aos leitores, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do novo reino, que Dido fundou ao fugir da cidade fen\u00edcia de Tiro, depois de Pigmali\u00e3o, seu irm\u00e3o, ter assassinado seu marido, Siqueu, para usurpar-lhe o trono. Ap\u00f3s o her\u00f3i dizer a que viera, a deusa informa-lhe que o restante da frota est\u00e1 a salvo, e ent\u00e3o parte, depois de envolver, por\u00e9m, Eneias e seus companheiros em n\u00e9voa que os fez invis\u00edveis, a fim de que chegassem seguros ao templo de Juno. Ali, os leitores, ao lado de Eneias, podem contemplar uma das mais belas passagens da poesia antiga.<\/p>\n<p>Eis que a rainha e seu s\u00e9quito chegam ao templo, onde ela preside os trabalhos de erigir Cartago. O her\u00f3i, ainda invis\u00edvel, v\u00ea chegar tamb\u00e9m os companheiros que julgava perdidos, entre os quais Ilioneu, que, ap\u00f3s relatar \u00e0 rainha a fuga de Troia e a procela, pede-lhe acolhida. Ela lhes concede e convida-os at\u00e9 a compartilhar do seu reino. Quando ela afirma desejar que Eneias ali estivesse, espetacularmente ele se revela, com a divinal beleza de que V\u00eanus o ornara, e apresenta-se a Dido.<\/p>\n<div id=\"attachment_359\" style=\"width: 847px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-359\" class=\"size-large wp-image-359\" src=\"http:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias-1024x713.jpg\" alt=\"\" width=\"847\" height=\"590\" srcset=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias-1024x713.jpg 1024w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias-300x209.jpg 300w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias-768x535.jpg 768w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias-847x590.jpg 847w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/encontro-de-dido-com-enc3a9ias.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 847px) 100vw, 847px\" \/><p id=\"caption-attachment-359\" class=\"wp-caption-text\">Encontro de Eneias e Dido, 1766 Sir Nathaniel Dance-Holland 1735-1811<\/p><\/div>\n<p>Dido, espantada, ap\u00f3s receb\u00ea-lo, leva-o ao pal\u00e1cio, onde lhe oferece um banquete. Eneias, pai cuidadoso, manda buscar o menino Asc\u00e2nio aos navios, quando V\u00eanus, inquieta, ordena a Cupido, tamb\u00e9m seu filho, que assuma o feitio e o posto de Asc\u00e2nio para que, com seu poder, contagie a rainha de paix\u00e3o por Eneias. Dido, j\u00e1 tocada da peste, pede a Eneias que relate, ele mesmo, todos os infort\u00fanios desde o \u00faltimo dia de Troia. Assim Dido, de ca\u00e7adora, se torna ca\u00e7a de Cupido.<\/p>\n<p>No segundo livro, o vate narra os momentos termos da cidade de Troia e o falecimento de Pr\u00edamo. O cavalo, astutamente alojado com soldados gregos, desperta tanto admira\u00e7\u00e3o quanto medo. Alguns, como Timetes e Sin\u00e3o, o falso, clamam por derrubar as paredes para aceitar o cavalo, enquanto outros, como C\u00e1pis, Cassandra e o sacerdote de Netuno, Laocoonte, percebem a armadilha, sendo que este \u00faltimo ataca com uma lan\u00e7a o ventre do cavalo.<\/p>\n<p>Ao longo do segundo livro, Virg\u00edlio insere alegorias que contrastam entre \u201cdia e noite\u201d, \u201cluz e cegueira\u201d, \u201craz\u00e3o iluminada e irracionalidade\u201d; deste modo assinalando que a queda de Ilion foi justamente a imprud\u00eancia dos troas em n\u00e3o entrever os perigos, seguindo os pr\u00f3prios impulsos e paix\u00f5es, em vez de escutar os alvitres dos s\u00e1bios.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>\u201cNisso Laoconte ardoroso, seguido de enorme cortejo,<\/em><br \/>\n<em>Da sobranceira almedina desceu para a praia, e de longe<\/em><br \/>\n<em>Mesmo gritou: \u2018Cidad\u00e3os infelizes, que ins\u00e2nia vos cega?<\/em><br \/>\n<em>Imaginai porventura que os gregos j\u00e1 foram de volta,<\/em><br \/>\n<em>Ou que seus dons sejam limpos? A Ulisses, ent\u00e3o, a t\u00e3o ponto<\/em><br \/>\n<em>desconheceis? Ou esconde essa m\u00e1quina muitos guerreiros<\/em><br \/>\n<em>Ou fabricada ela pro para dano de nossas muralhas,<\/em><br \/>\n<em>E devassar nossas casas ou do alto cair na cidade.<\/em><br \/>\n<em>Qualquer ins\u00eddia cont\u00e9m. N\u00e3o confieis no cavalo, troianos!<\/em><br \/>\n<em>Seja o que for, temo os d\u00e2naos, at\u00e9 quando trazerem os presentes.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A descida do sacerdote Laocoonte da almedina \u00e0 praia, assim como, o aviso de C\u00e1pis, cujo nome significa \u201ccabe\u00e7a\u201d, simbolizam a \u201cintelig\u00eancia iluminada\u201d em contraste com Timetes, cujo nome significa \u201cpaix\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a impulsividade.<\/p>\n<p>Os argivos enviaram Sin\u00e3o, cuja ardilosa ret\u00f3rica persuadiu os ilios a aceitarem o presente dos gregos. Laocoonte sacrificava um boi no altar de Netuno quando duas serpentes da ilha de T\u00eanedo afloraram do mar, matando seus filhinhos e o pr\u00f3prio sacerdote. Esse fen\u00f4meno \u00e9 compreendido como um castigo divino pelos atos do sacerdote, que incitara os troianos a trazer o presente dos gregos para dentro das muralhas.<\/p>\n<p>Assegurados de que os inimigos fugiram, os dard\u00e2nios celebram em euforia: embriagados de vinho, todos adormentam. Mas, ao alvorecer, a frota argiva retorna. Sin\u00e3o liberta os guerreiros obductos dentro da m\u00e1quina, que abrem as portas da cidade para os guerreiros de fora e, assim, o massacre come\u00e7a. Eneias \u00e9 visitado pela alma de Heitor, que lhe revela que Troia est\u00e1 perdida, cabendo a ele salvaguardar os Penates (pequenas est\u00e1tuas que representavam os deuses dos lares) e partir para fundar uma nova Troia.<\/p>\n<p>Os inimigos avan\u00e7am para o pal\u00e1cio, de onde Cassandra \u00e9 arrastada pelos cabelos. Enfurecidos com a cena, os troianos atacam os gregos mas, em menor n\u00famero, a a\u00e7\u00e3o \u00e9 infrut\u00edfera. Eneias, atrav\u00e9s de uma porta secreta, entra no pal\u00e1cio de Pr\u00edamo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-354\" src=\"http:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original.jpg\" alt=\"\" width=\"90%\" srcset=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original.jpg 2127w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-300x241.jpg 300w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-1024x823.jpg 1024w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-768x617.jpg 768w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-1536x1234.jpg 1536w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-2048x1646.jpg 2048w, https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/03\/H19555-L160133335_original-847x681.jpg 847w\" sizes=\"(max-width: 2127px) 100vw, 2127px\" \/><\/p>\n<p>O pal\u00e1cio real \u00e9 s\u00f3 ru\u00ednas: ali, o her\u00f3i resiste at\u00e9 que os gregos, finalmente, irrompem, incluindo o filho de Aquiles, o cruel Pirro, que encontra Pr\u00edamo, o velho rei, rezando no altar junto com sua esposa e noras, mal conseguindo segurar suas armas. Ele lan\u00e7a a espada em seu filhinho pequeno, que ensanguentado, corre para os bra\u00e7os do monarca. Pr\u00edamo, ent\u00e3o, irritado, amaldi\u00e7oa Pirro, afirmando que ele n\u00e3o era digno de seu pai, Aquiles. O anci\u00e3o lhe lan\u00e7a uma d\u00e9bil lan\u00e7a, \u00e0 qual Neopt\u00f3lemo responde enterrando-lhe uma espada no peito.<\/p>\n<p>Eneias, saindo de Troia vislumbra Helena, a causa de toda a desgra\u00e7a. Sente-se impelido pela ira a mat\u00e1-la. V\u00eanus o cont\u00e9m, asseverando-lhe que a queda de Troia fora vaticinada pelos deuses, e ordena-lhe que fuja com a sua fam\u00edlia. O her\u00f3i volta para casa em busca de seu vetusto pai, carregando-o nas costas, enquanto o progenitor leva consigo os Penates; ao lado, segura Asc\u00e2nio, seu filho pequeno, pela m\u00e3o, e \u00e9 seguido por sua esposa, Cre\u00fasa que, infelizmente, se perde no caminho. Aqui o pai representa o passado e as tradi\u00e7\u00f5es que Eneias deve preservar. Asc\u00e2nio, que mais tarde fundaria Alba Longa, onde nasceu R\u00f4mulo, edificador de Roma, representa o futuro. J\u00e1 Cre\u00fasa, o presente que o her\u00f3i deve abnegar. Volta sozinho para procur\u00e1-la em casa, quando \u00e9 visitado pela sombra de sua esposa, que o conforta, assegurando-lhe que tudo acontecera pela vontade dos deuses. Ao nascer da aurora, Eneias junta-se aos seus companheiros no monte Ida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Livro I da Eneida divide-se em tr\u00eas partes principais: o pro\u00eamio, a viagem de Eneias e o desembarque em Cartago. O pro\u00eamio, conforme exposto no artigo anterior, apresenta a invoca\u00e7\u00e3o e a proposi\u00e7\u00e3o do poema. A invoca\u00e7\u00e3o \u00e9 um recurso usado pelos poetas antigos para pedir inspira\u00e7\u00e3o divina \u00e0s Musas, filhas de J\u00fapiter e &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/comentario-aos-livros-i-e-ii-da-eneida-de-virgilio\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[16],"class_list":["post-352","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-estudos-classicos","tag-eneida","item-wrap"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":364,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352\/revisions\/364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vias-classicas.com\/michaelhellmann\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}