{"id":243,"date":"2019-11-22T09:27:22","date_gmt":"2019-11-22T12:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/gehspace.com\/poemas\/?p=243"},"modified":"2019-11-22T09:27:22","modified_gmt":"2019-11-22T12:27:22","slug":"balada-do-velho-pinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vias-classicas.com\/poemas\/balada-do-velho-pinheiro\/","title":{"rendered":"Balada do Velho Pinheiro"},"content":{"rendered":"<p>Soerguendo-se no verde caos da floresta<br \/>\nO imponente tronco carcomido,<br \/>\nEloquente testemunho da gl\u00f3ria de tempos esquecidos,<br \/>\nDo velho pinheiro entoa o que de voz ainda lhe resta.<\/p>\n<p>Em tom terr\u00edvel o t\u00e9trico tronco admoesta<br \/>\nOs pecados que se alastram nos ganidos<br \/>\nDos seres que em passos desmedidos<br \/>\nDan\u00e7am a seus p\u00e9s a vida em festa.<\/p>\n<p>Dos ramos ancestrais inda descaem pinhas<br \/>\nQue no solo \u00e1rido rochoso estalam;<br \/>\nAlguns, aqui e ali, a esterilidade abalam,<br \/>\nE germinam, e brotam, e crescem, vencendo rinhas.<\/p>\n<p>Nenhum t\u00e3o profundamente se enra\u00edza,<br \/>\nPor\u00e9m, como o velho pinheiro:<br \/>\nDas ra\u00edzes fazem pernas e por quaisquer dinheiros<br \/>\nLogo largam o solo e seguem enganosas brisas.<\/p>\n<p>De suas pernas fazem naus e v\u00e3o singrar as vagas f\u00farias<br \/>\nDeslumbrados com a leveza em que flutuam:<br \/>\nAt\u00e9 que os vagos movimentos que insinuam<br \/>\nNaufragam ambi\u00e7\u00f5es, cobi\u00e7as e lux\u00farias.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o aprendem da nefasta experi\u00eancia<br \/>\nOs deveres, os cuidados, o respeito venerando,<br \/>\nQue mesmo em dias de apraz\u00edveis ventos brandos,<br \/>\nExige o mar dos que lhe t\u00eam Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o! Ao velho pinheiro toda a culpa cabe<br \/>\nDe cada sofr\u00eancia e desdita,<br \/>\nDe toda dor que palpita,<br \/>\nNo que ignora o que sabe.<\/p>\n<p>Arremedando medrosamente o matusal\u00eanico mestre<br \/>\nOs pinheirinhos verdolengos<br \/>\nGerminam mentirinhas molengas<br \/>\nE n\u00e3o dizem coisa que preste.<\/p>\n<p>A voz do velho pinheiro na floresta tonitrua,<br \/>\nTroa, troveja, atormenta;<br \/>\nE os pinheirinhos n\u00e3o aguentam,<br \/>\nO desfile de sua burrice, \u00e0 vista de todos, nua!<\/p>\n<p>Conjuram nuvens de cupins,<br \/>\nEsquadrilhas de pica-paus,<br \/>\nGralhas e bacuraus,<br \/>\nE criaturas afins.<\/p>\n<p>O velho pinheiro, sobranceiro, de tudo ri-se faceiro,<br \/>\nA tudo afasta sem recato:<br \/>\nTudo se vai na corrente do regato<br \/>\nE ele segue, invicto, no topo do outeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soerguendo-se no verde caos da floresta O imponente tronco carcomido, Eloquente testemunho da gl\u00f3ria de tempos esquecidos, Do velho pinheiro entoa o que de voz ainda lhe resta. 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