Gramática Clássica e Normativa para bem escrever

Um bom escritor precisa saber a Gramática normativa? Sem dúvida, a resposta curta é sim. A resposta completa mostrará que o escritor realmente necessita da Gramática em seu dia a dia, mas não exatamente da forma como a ensinaram a você.

Gramática Clássica: "saber escolher a forma de escrever é a própria definiçãode saber escrever".

Em resumo, o que significa saber gramática? Em poucas palavras que “saber escolher a forma de escrever é a própria definiçãode saber escrever”.

O que é a Gramática?

A “Gramática“, tal como entendida na atualidade, aquela mais conhecida como “Gramática Normativa”, é um conjunto de regras que serve para uniformizar os textos redigidos em um idioma. Sua função, importantíssima, é a constituição de uma convenção de código: como todos os textos são escritos segundo as mesmas regras, todos os que a conhecerem poderão usá-la para comunicar suas ideias com a segurança de que serão entendidos. Ninguém precisará adivinhar o que cada escritor quis dizer em cada um de seus textos.

Quando o leitor não precisa se preocupar com a forma, ele pode concentrar a atenção no conteúdo.

É inevitável concluir que o escritor precisa conhecer as regras da Gramática Normativa para que a forma do seu texto não desvie a atenção do leitor, prejudicando a absorção do conteúdo.

Sobre a diferença entre Gramática Clássica e Gramática Normativa

Não é justo dizer que há um conflito entre as noções clássica e normativa da Gramática, mas complementaridade. Enquanto a Gramática Clássica se ocupa das questões filosóficas mais amplas, que estabelecem os princípios universais da boa comunicação em qualquer idioma, a Gramática dita “normativa” se ocupa apenas dos aspectos convencionais, da uniformização do código de fala e escrita em cada idioma.

Essa diferença/complementaridade é muito bem entendida na programação de computadores. Enquanto o ato de criar um aplicativo exige o conhecimento dos princípios universais da computação, o ato de escrever o programa exige conhecimento das regras da linguagem de programação escolhida. Ambos são essenciais; sem um, o outro é impossível.

Os conflitos entre as versões “clássica” e “normativa” da gramática contemporânea derivam, em grande parte, dos conflitos entre as concepções filosóficas que sustentam a gramática clássica e gramática normativa contemporânea, que levam esta última a pretender substituir completamente a primeira, desprezando suas concepções e princípios. Porém, a necessidade de uma convenção de código persiste, e nada impede o uso da gramática normativa contemporânea para esse fim, enquanto ampliamos nosso entendimento da escrita para a criação literária partindo dos princípios clássicos.

Para que a Gramática Normativa não serve

O grande problema do ensino da Gramática Normativa é tratá-la como uma finalidade quando, da explicação acima, podemos facilmente concluir que a Gramática é um meio para atingir o objetivo de transmitir uma mensagem ao leitor. O que o escritor deseja, antes de tudo, é ser entendido pelo leitor, é induzir o leitor a pensar ou imaginar alguma coisa. Para realizar esse desejo, ele precisa conhecer as regras gramaticais. Mas você jamais flagrará um escritor em pleno ato de criação de um texto dizendo algo no estilo “Iniciarei esta frase com uma sequência de orações coordenadas sindéticas aditivas e, em seguida, arrematarei com uma bela oração subordinada adverbial concessiva”.

Não, definitivamente, não é assim que se escreve! Mas é assim que se quer ensinar a Gramática para o aspirante a escritor.

A diferença entre analisar e criar

Não sei dizer se existe alguma outra maneira de ensinar a Gramática contemporânea que não envolva a análise de frases e parágrafos criados por outras pessoas. De qualquer forma, essa é maneira com que se ensina a Gramática, hoje e sempre: analisando, rotulando, classificando, esmiuçando. O ato de escrever, por outro lado, é um ato de criação. A sua motivação inicial é a vontade de dizer alguma coisa a alguém.

A Gramática Normativa permite apenas que você analise o que já foi dito. Mas não fornece nenhuma pista sobre como você deveria dizer o que você quer, sobre como dizer algo que ainda não foi dito! A Gramática é mais útil para o escritor no momento da revisão, isto é, no momento de localizar e corrigir os erros. No momento da criação, serve apenas como um parâmetro de correção a ser seguido.

Aprender é experimentar

Para criar um bom texto, o escritor precisa de algo mais do que a análise de frases prontas. Ele precisa experimentar diferentes formas gramaticalmente corretas de escrever o que deseja, observando o efeito de cada uma dessas formas. Ao longo do tempo, o acúmulo de experiências leva ao crescimento do repertório do escritor, isto é, do conjunto de formas inteligentes, criativas, sedutoras, emocionantes, persuasivas, impactantes e gramaticalmente corretas de dizer o que deseja. O problema da falta de palavras desaparece para sempre!

É claro que as experiências com as formas de escrever terão maior probabilidade de sucesso caso dirigidas por um método lógico, que identifique os componentes mais simples do problema e permita o avanço contínuo, em passos realisticamente dimensionados com dificuldade progressiva.

Na contramão da simplificação preguiçosa e da complicação inútil

As obras de Gramática publicadas pela editora Vias Clássicas caminham no sentido oposto tanto das propostas didáticas que não passam de uma mera compilação de frases feitas, quanto na dos cursos que se baseiam em complicadíssimas análises repletas de jargão incompreensível que jamais ensinaram qualquer pessoa a escrever sequer um bilhete.

Seja no “Programa de Composição Clássica“, quanto no “Curso de Redação Prático e Completo” ou nas obras “Morfologia I” e “Sintaxe I“, a intenção é ensinar critérios para habilitar o estudante a avaliar a qualidade das próprias palavras, frases, parágrafos e textos completos. Estimulamos o estudante a experimentar variações e avaliar por si próprio o impacto final de cada uma de suas escolhas sobre a pessoa mais importante do mundo: o leitor! O estudante aprenderá a escrever experimentando formas diferentes de escrever, adquirindo critérios para escolher a forma ideal de escrever o que deseja.

Afinal, saber escolher a forma de escrever é a própria definição de saber escrever!

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