| Father and Child William Butler Yeats |
Pai e Filha (trad. Alexei Gonçalves de Oliveira) |
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| She hears me strike the board and say That she is under ban Of all good men and women, Being mentioned with a man That has the worst of all bad names; And thereupon replies That his hair is beautiful, Cold as the March wind his eyes. |
Ela me ouve golpear a mesa enquanto digo Que sua pena é ser banida De todos os justos homens e mulheres Por mencionar-se junto a um homem cuja vida Ostenta a pior entre as más famas; E, a tudo isto, repele: Que dele os cabelos, tão lindos, e Quais de março o vento, os olhos dele, gelam-na. |
ago 16
Father and Child (tradução)
ago 15
Judiciária
Cara Justiça deâmbula e pávida
Expõe-se nua carne à chuva e ao frio:
Em sangue vivo sua pele pálida
Franqueia as fauces ao que a desafia.
A fina seda que seus olhos vela,
Desprezo rude que mal acoberta
Desinteresse por mortais querelas
Nem elegias teu amor desperta.
Ao clamor dos lares por mais justiça,
Conclama célere os magarefes
De mantos negros em blasfema missa:
Sessão solene do STF!
ago 11
Raphael
“Alhú, Alhú”! – o arcanjinho lamenta
A mãe a luz apaga.
“Áua, áua” – o arcanjinho sedento
O pai dá-lhe a água.
“Caiú, caiú” – o arcanjinho derrama
A mãe pega e ralha.
“Acaá, Acaá” – o ancanjinho conclama
Mano Martin não falha.
“Acaé, Acaé” – o arcanjinho convoca
Michael não se cala.
“Brrrum-brrrum” – o arcanjinho desloca
O carrão pela sala.
“Papai, papai” – o arcanjinho reluz
Papai embala sua dor.
“Mamãe, mamãe” – o arcanjinho seduz
Colhe e entrega-lhe a flor.
“Bambãe, Bambãe” – o arcanjinho sorri
E corre para o banho.
“Mimi, mimi” – o arcanjinho sem manha
Vai para a cama dormir.
ago 07
O admirado e o curioso
O admirado, naquela tarde,
ao curioso cedeu o passo,
E junto ao ícone, soou alarme,
“Como cometes tamanha graça?”
E nessa noite, vagiu o poeta;
A nota rútila, cantou o músico;
A pátria atônita adulou o atleta;
E o curioso, admirado lúcido,
Calcou no palco o primeiro passo!
(Dedicado a Joselias Souza)
ago 03
Radical (em queda) livre
Abrolhando de sementes viperinas,
Juventude em flor amara desabrocha:
Franzindo o cenho, intumescendo as narinas,
O que não destróis, sucumbe a teu deboche.
Entoas sério como solene jura
A radicalidade dos áureos tempos!
Render-se aos fatos, retruques ou censuras?
Nunca! Pois julgas domar moral e senso
Sob relho de mundana ideologia,
Castrando as massas, substituindo o povo
Pelos mais profanos absurdos critérios:
Genocidas recebem teus elogios,
Pervertidos exaltas sem dó ou nojo,
Só aos santos diriges teus vitupérios!
jul 28
Reinaldo Azevedo
A meus alunos tua leitura recomendo
Pela graça e estilo que teu texto ensina –
Pois acima e antes, és um escritor! –
Pela Lógica e Justiça de teus argumentos,
A partir de preferências cristalinas
Facilmente aferíveis pelo teu leitor.
De tuas ideias, não concordo, não discordo –
Não é este o caso! –
Sem valorá-las, reconheço seu valor,
Pois se minha Musa fosse a mesma que te acorda
– da aurora ao ocaso! –
Que tens razão concluiria, indolor.
jul 27
Quando paro de procurar
Eis que tudo se torna
sensivelmente mais fácil
quando cesso a caça
por aplauso e riso;
e – observe a coincidência! –
eis que eles surgem,
sibilantes consequências
do que faço e penso
sem ao que ao menos pense nisso!
jul 27
O Analista Político
Narro o rebentar das ondas políticas
Com os pés enfiados na areia
Esperando mantê-los secos.
Ato-me ao mastro da nau das críticas
Surdo ao encanto das sereias:
Só dos fatos ressoo os ecos!
Leio mentiras em mantos de análises,
Vis e descaradas notícias,
Discursos disfarçam trapaças.
Do licor indignante sorvo cálices:
Aos poderosos, as carícias,
Aos eleitores, as caraças!
jul 23
… ao Brasileiro!
Brasileiro, ergue por um átimo tuas ventas
do pó ao qual retornarás,
Lança ao fogo do esquecimento
as mazelas nacionais,
as lamentações infindas,
Finge – isto que fazes tão bem!
– não afligir-se da sobrevivência,
O alimento em grande estoque, as contas pagas,
corpo nutrido em abundância,
conforto e exuberância,
ostentação e luxo, tudo isto
Finge já os possuir e, ao espelho, indaga
com o ar de enfado dos bem nascidos:
– Que faço agora que de nada
mais posso me queixar?
Responde. E faze-o.
Eleva tua alma, brasileiro;
Ausculta a música da eternidade,
Extasia-te no ouzo das letras do universo,
Deságua lágrimas n’airosas visagens:
Das procelas econômicas, poesia;
Das insídias governamentais, peças de teatro;
Das misérias sociais, venustas paisagens;
Das almas corruptas, contos de virtudes,
Romances de valores, poemas heroicos
E quadrinhos de super-heróis.