Alexei Gonçalves de Oliveira

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Deimos

Sombra de Fobos, seu gêmeo,
Serpeiam olhos de Deimos.
Quando descuida-se a presa
Ele investe de surpresa:
Dispara, alveja, detona,
Dos bravos despe as dragonas;
Mata velhos e crianças,
Finda vidas e esperanças.
Dos atos sempre covardes
Castigos chegam tão tarde.
Desconsolo das famílias
Assombra o sono e a vigília:
Recorrentes pesadelos,
Emoções em atropelo,
Pavores multicromáticos,
Dores de stress pós-traumático.
Tudo que é mal se avista,
Quando com Deimos se alistam,
Fanáticos terroristas:
Braços da Morte,
Clavas de Deimos,
O Terror.

Inteligência

Forças da natureza, irresistíveis;
Avalanches, erupções vulcânicas,
Furacões e tornados, ventos irascíveis,
Enchentes e tormentas oceânicas,
Terremotos e incêndios florestais,
Frentes frias e ondas de calor,
Nevascas e auroras boreais,
Noites claras pelo fulgor
Irresistível dos raios
Vulcânicos nos vapores sulfúreos
Irascíveis que ascendem da rocha em
Oceânico fluxo de lava, incandescendo
Florestas reduzidas a fósseis carbonos pelo
Calor estorricante;
Boreal
Fulgor nas paisagens gélidas do pensamento:

Seja assim tua inteligência
Ao defrontar-se com canalhas.

Fobos

Improvável rebento de Amor e Guerra,
Elmo argênteo nos confins do pensamento
Aguilhoa a vontade, exacerba o lamento,
Até dos mais bravos a força soterra.

Granizo da mente, torpor inimigo,
Hesita o guerreiro de trêmula maça:
Pernas infirmes que os pés embaraçam
Apressam seus passos quedando ao jazigo.

No solo onde pisam sandálias de Fobos
Rapinam as areias abutres e lobos,
Regalam-se sádicos livres pendores;

Somente a Esperança opõe-lhe o escudo
E da Fé a lâmina pontiaguda
Derrota sua falange de dissabores.

Rejeição

Mentiria se dissesse que tua recusa me é indolor;
Que a frialdade de tuas missivas não me enregela;
Que teu desdém não me afoga em vagas de procela;
Que meu rosto irado e triste não evanesce em rubor.

Jamais direi que de teu louvor não necessito,
Que teu aplauso não incensa meus sonhos,
Que não arde o meu velho coração bisonho,
Que não me prostro em inerme adoração ao mito.

Abanas-me como a incômodo inseto;
Humilhas-me enquanto manténs secreto
O motivo pérfido por que me ignoras:

Desdém, calúnia e tripúdio,
Tríade em promíscuo conúbio,
Que me tortura no correr das horas!

A Romântica lira de chumbo

Lira? Que lira?
Minha poesia é uma guitarra elétrica
Distorcida estridente na luz feérica
Dum palco onde tudo reluz e gira
Para deleite da plateia
Que sua as tachas, o couro, o brim,
Punhos cerrados num uivo sem fim,
Ferazes lobos da alcateia
Dos rudes guinchos de pneus no asfalto
Quente do stress urbano
Poluente do devir humano
Ensurdecido por tais sons, tão altos!

Meus versos não cantam: são gritos melódicos,
Trêmulos vibratos no registro grave
Do contrabaixo em ressoante cave,
Reverberante riff caçador metódico
Do bracabraque da bateria:
Amplificadores em tão alto volume
Ribombando as caixas de áureo negrume
Que de um Titã os tímpanos se romperiam!

Sou um Romântico, mas não um romântico
Que canta amores de bar e motel:
Sou um Romântico de alma quântica,
Sou um Romântico heavy metal!

Dreapta Măsură | (tradução) A justa medida

Dreapta Măsură

(Emil Cioran)

A justa medida

(Tradução por Alexei Gonçalves de Oliveira)

Un pic de durere te face profund,
Mai multă durere te-afundă prea mult.
C-un pic de avere n-ai lipsuri în casă,
Cu multă avere n-ai somn şi te-apasă.

Un pic de-mplinire te face mai bun,
Prea multă împlinire te face nebun.
Un pic de putere te face mai tare,
Prea multă putere pe alţii îi doare.

C-un pic de respect eşti încrezător,
Cu prea mult respect devii sfidător.
Un pic de-ngrijire te ţine mai bine,
Prea multă îngrijire-i o hibă-n gândire.

C-o slujbă, desigur, ai pâine pe masă,
Dar dacă ai zece, n-ai masă, n-ai casă.
Păstrează, creştine, măsura în toate,
Deloc nu e bine, iar prea mult te-abate
Încet, dar şi sigur de la pocăinţă
Şi te pricopseşte c-o altă credinţă.

Um pouco de dor faz de ti mais profundo
Mas dor excessiva só leva-te ao fundo.
Com poucos haveres, nada falta em casa,
Com muitos o sono oprimido bate asas.

Um pouco que imprimes te faz bem melhor,
Mas o muito imprimir é enlouquecedor.
De poder um nadica ao alto te eleva,
Poder em excesso aos outros entreva.

Com pouco respeito, és mais confiante,
Com muito respeito, és desafiante.
Se alguma ajuda mantém-te melhor,
Excesso de ajuda confunde o pendor.

C’um emprego, claro, tens pão sobre a mesa,
Se tens dez empregos, nem casa, nem mesa.
Mantém, cristandade, medida em tudo,
Se o nada é mau, o muito te abate, contudo,
Lentamente, mas é seguro o remorso
E com outra fé comprometes-te e a endossas.

O Assunto

Que assunto deseja o bestunto
No festim das mesas de botequim?
Quimeras nas salas de espera,
Verdades tíbias que derretem nas mídias
E fedem.

Do assunto festejam as mídias
As tíbias quimeras das mesas de botequim,
Enquanto esperas, bestunto, no festim das salas,
Verdades que fedem do que desejas
E derretem.

E enquanto tíbio esperas bestunto na mesa
Quimeras que fedem ao festim da mídia –
Verdades de botequim –
Derretem nas salas
O assunto.

Da mídia nas mesas das salas
Esperas festim de verdades bestuntas –
Assuntos para o botequim –
Fétidas, derretidas, tíbias,
Quimeras.

Tímidos introversos

Um viva a nós, os tímidos, os introvertidos!
Mas um viva silencioso, discreto, sem espalhafato:
Um viva de olhares de esguelha e meios sorrisos de comissura;
Um viva sem fogos, brindes, aplausos ou gritos;
Um viva de olhar submerso no fundo do copo;
Um viva invisível ouvido no íntimo;
Um viva oculto, tímido, introverso;
Mas, assim mesmo, um viva,
Pois, assim mesmo, bem viva,
Pois, assim mesmo, Deus nos fez
Vida: viva!

Debate eleitoral na TV

Ele mente, tu mentes, eu não minto,
Debate sem debate, que teatro!
Na TV espolinhando-se os helmintos
Cínicos facínoras: candidatos!

Das perfídias e dantescas insídias
Cujos rostos mascaram-se em acrônimos;
As falsídias e andrôminas desídias
No eleitor provocam ânsia de vômito!

Ó destino que se augura ominoso
Aos que escolherem uma entre as raposas
Que os dentes cravarão em nossa carne:

Do poder ilusionista do marketing
Eleitoral, bico doce e voz acre,
Contra seus ardis: eleitores armem-se!

Imn lui Ştefan cel Mare (tradução)

Imn lui Ştefan cel Mare
(Vasile Alecsandri)
Hino a Estêvao, o Grande
(Tradução de Alexei Gonçalves de Oliveira)
La poalele Carpaţilor,
Sub vechiul tău mormânt,
Dormi, erou al românilor,
O! Ştefan, erou sfânt!

Ca sentinele falnice
Carpaţii te păzesc
Şi de sublima-ţi glorie
Cu secolii şoptesc.

Când tremurau popoarele
Sub aprigii păgâni,
Tu le-apărai cu braţele
Vitejilor români.

Cu drag privindu-ţi patria
Şi moartea cu dispreţ,
Măreţ în sânul luptelor,
Şi-n pace-ai fost măreţ.

În cer apune soarele
Stingând razele lui,
Dar într-a noastre suflete
În veci tu nu apui!

Prin negura trecutului,
O! soare-nvingător.
Lumini cu raze splendide,
Prezent şi viitor.

În timpul vitejiilor,
Cuprins de-un sacru dor,
Visai unirea Daciei
Cu-o turmă ş-un păstor;

O! mare umbră-eroică,
Priveşte visul tău:
Uniţi suntem în cugete,
Uniţi în Dumnezeu.

În poalele Carpaţilor,
La vechiul tău mormânt,
Toţi în genunchi, o! Ştefane,
Depunem jurământ:

„Un gând s-avem în numele
Românului popor,
Aprinşi de-amorul gloriei
Ş-al patriei amor!”

Ao sopé dos Cárpatos,
Sob lápide veneranda
Dormita, dos romenos bravos,
Ó! Estevão, viril e santo!

Qual sentinela garbosa
Os Cárpatos montam guarda
Sublime vida gloriosa
Pelos séculos murmurada.

Quando tremia o populacho
Sob a fúria dos pagãos,
Amparaste-o com os braços
Dos guerreiros romãos.

Com amor tua pátria vigiaste
Dando à morte o teu desprezo,
Grande, deste o peito à luta,
Grande, à paz, o teu desvelo.

No céu põe-se o sol
Os seus raios extinguindo,
Porém em nossas almas
Tua presença jamais finda!

Pelas névoas do passado
Ó! Sol nascituro.
Luzindo raio esplêndido,
Sobre o agora e o futuro.

Nos tempos de maior bravor,
Contido por sacra dor,
Visavas uma só Dácia
Só um rebanho, um só pastor;

Ó! Grande sombra heroica,
Contempla o sonho teu:
Unidos somos em pensamento
Unidos somos em Deus.

Ao sopé dos Cárpatos,
À lápide veneranda,
Ó Estêvão, genuflexos,
Depomos, jurando:

“Uma ideia para ter em nome
Do romeno povo,
À luz de amorosa glória
Da pátria serei zeloso!

Poemas